Texto filosofia da caixa preta

 Na minha opinião, o ponto mais impactante do livro é a dúvida sobre a existência de liberdade no ato de fotografar. Essa dúvida não se limita à interação entre fotógrafo e foto, mas se aplica a qualquer relação entre homem e objeto na era tecnológica.

Em primeiro lugar, estamos limitados pela programação da câmera, seja pelo seu enquadramento ou suas configurações. Além disso, a fotografia é refém da indústria: quem decide o que uma foto deve mostrar e para quem é interessante seu resultado? E, caso uma foto passe pela aprovação da indústria, como ela será exibida? Terá espaço para ser apresentada e criticada, ou virá acompanhada de uma breve explicação que limitara as interpretações possíveis?

Tais questionamentos levantados por Vilém Flusser nos anos 1980 continuam relevantes até hoje, não apenas na fotografia, mas em qualquer aparato tecnológico. Eles nos levam a refletir sobre se somos reféns ou não de nossas próprias criações.

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